terça-feira, 5 de agosto de 2025

FAMÍLIAS VICENTINAS TRADICIONAIS


SÃO VICENTE NO INÍCIO DO SÉCULO XX



Fotografia de São Vicente em 1903, vista do Morro do Barbosas. Registro da Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo.



A Igreja Matriz - em frente ao Largo Batista Pereira e rua XV de Novembro - como destaque de uma pequena vila ainda com ares da época colonial, com casas na área central e chácaras nos arredores. No canto abaixo à esquerda ainda estava o pelourinho colocado por Martim Afonso e depois levado para Museu Paulista por Benedito Calixto, que temia pelo desaparecimento. Ao seu lado está os fundos da Câmara e Cadeira Municipal, demolida para dar lugar ao Mercado Municipal em 1929. À direita a casa do Barão de Paranapiacaba (na rua e atual Casa Martim Afonso). Benedito Calixto e seu filho Sizenando Calixto fizerem um registro fotográfico numa perspectiva oposta dessa imagem, a partir da rua Martim Afonso.

O fundo da foto registra uma vasta área ainda desocupada, compreendendo os charcos do Catiapoã, os sítio do Bugre e Guassu, o sítio Itararé, ao fundo e à direita da foto, pertencia à José Francisco Valença, cujas terras se estendiam até a antiga divisa com Santos (atual avenida e canal Jovino de Melo). Parte delas foram doadas em inventário para a Santa Casa de Misericórdia de Santos dando origem aos loteamentos: Vila Valença, Vila Melo, Jardim da Misericórdia (Independência), Vila Voturuá e Vila São Jorge. Era uma época que a natureza ainda imperava sobre a civilização industrial e a densidade urbana. São Vicente possuía uma orla quase selvagem, desabitada; e nos arredores da vila, extremos da da ilha e na parte continental serrana havia a plenitude milenar da mata atlântica. Mais de 40 rios brotavam de nascentes e corriam livremente em várias direções antes de serem canalizados e asfixiados pelos sistemas de esgotos e galerias pluviais.

OS LAPETINA E OS AMORIM


comerciante Francesco Lapetina e sua filha Maria Helena Lapetina em foto de 1925, na rua Visconde de Tamandaré, 40. Também foi citado no edital Á Bocca do Coffre, do prefeito Antão Alves de Moura, em 1909, como proprietário de lote na avenida Capitão Mor Aguiar, 22. 

Francesco era natural de Tramutola, Potenza, Itália, onde nasceu em 1844. 

Imigrou para São Vicente em 1879. 

Segundo o Almanaque Santista (1885), era um dos comerciantes mais antigos em atividade, tendo primeiramente uma taverna, secos e molhados e depois uma pedreira. 

Foi pai de 12 filhos, 10 vicentinos e dois italianos. 

Sua filha Maria Helena (foto) casou-se com Antônio Pinto Amorim (irmão de Luiz Pinto Amorim, dono do famoso Iate Etelvina, que fazia a travessia para Praia Grande, no Porto Tumiaru), com quem teve sete filhos. 

O caçula dessa prole de Maria Helena e Antônio foi o famoso médico Dr. João Amorim, que fez brilhante carreira científica e gestora em importantes núcleos da medicina paulistana, incluindo os hospitais Pérola Byington, Matarazzo e Pro-Matre. 

Dados e foto: Waldiney La Petina, pesquisador genealogista.

Nota: o sobrenome original italiano é LA PETINA; no Brasil ficou registrado LAPETINA.



   O NECROLÓGIO DE MARIA HELENA LAPETINA AMORIM

O marcante necrológio da Sra. Maria Helena Lapetina de Amorim publicado no jornal A Tribuna em 1936. Pela quantidade de manifestações solidárias ao triste episódio familiar, podemos ter conhecimento de boa parte dos vicentinos moradores na cidade ou em Santos nessa época.


Realizou-se, hontem, o enterro da sra. d. Helena Lapetina de Amorim, esposa do sr. Antônio Pinto de Amorim, tendo o féretro saído da avenida Ana Costa n. 48, para o cemitério de S. Vicente. 

Velaram e acompanharam o corpo à sua última morada as seguintes pessoas:

Romeu Spinelli, Marlo Spinelli, Nelson Prietro, Júlia de Moraes, Sola do Moraes, Lila Moraes Alves. 

Maria Moraes, Maria Paz Franco, Manoel Martins Franco. Ariovaldo Martins Franco, Aurea Franco de Carvalho. 

Carlos Carvalho, pela Casa Aurora; Álvaro Mendes Junior, Bartholomeu Hayden, Rosa Passarelli Spinelli, Victorino Alves e senhora, José Passarelli. 

Rubem Cesar Alves e senhora, Olegário Herculano Alves e senhora, Octavio Tourinho Caldeira, dr. Demétrio de Campos Tourinho, André Montoro, Thomazia Montoro, 

J. B. Queiroz de Assumpção, Paulo dos Santos Cruz, pela família Santos Cruz; 

Luís Passarelli, Oswaldo Tavolaro. Edgard Marcos Araujo, Ariovaldo Martins Franco, Nazareth Guerra, Adel Costa e família, Antônio de Almeida Franco, 

Waldemar Pires da Costa e senhora, Luís Melchert, Cesário Peres e família. 

Quintino Alves Simões, Rosa Lapetina Simões, Emilio Hourneaux, Marcos Piazza, José Carlos Melchert, por si e família; 

Manoel dos Santos Barbosa e família, Rosaura Rios de Mello, Horácio Santos Silva, Octavio Oliveira, Jorge Bandeira. 

Oswaldo Passarelli, Alberto Spinelli e senhora, Milton Azevedo e família, Rosa de Jesus Simões, João Alves Simões, Francisco Pereira de Almeida Júnior, José P. Costa, José da Rocha Correa,.

Emilio Costa, Ricardo Luís Lamas, Jayme Paulo, Antônio Martins Oliveira, Pedro A. Borges, Thiers de Queiroz e senhora, Jorge Guedes Monte Alegre, por si e seu pae João de Castro Monte Alegre; 

João Hyle, Carlos Richter, José Francisco Fernandes Junior, Lucas Simões, Luís Passarell! Netto, Oswaldo Passarelli, dr. Sylvio Passarelli, Luís Ribeiro e família, 

A. F. Amado, Adriano Campos Tourinho, Pompeu Augusto dos Santos, por si e Onofre Accacio; 

José Simões Costa, por si e família; Antônio F. Nery, Oscar Casimiro Santos, Jorge Santos, Carlos C. de Campos, Paulo da Costa Monano, Joaquim Alves Corrêa, 

Adagamos Sarti- pelo dr. Osório de Sousa Leite, por si e pela Faculdade de Pharmacia e de Odontologia de Santos.

 Aristóteles Guimarães, por si e pelos alunos da Faculdade de Pharmacia e de Odontologia de Santos e pelo Grêmio Pharmaco-Odontologico de Santos; 

Antônio Diniz Alves Garcia, por si e pelos collegas de turma da Faculdade de Pharmacia e de Odontologia de Santos; 

Clerilda Remigio Silva, Álvaro Guimarães e família, Antenor Villas Boas, A. do Canto e Castro, Armando Trigo. 

F. G. Ramos, Álvaro dos Santos Barbosa e família, José Peres Alvar e família, por Francisco de Moraes.

Lucilla Pimentel, Nair de Almeida, Julieta Lapetina Domingues, Santa Oliveira, Irineu Oliveira, Salvador Lapetina, Maria V. Lapetina, Josephina C. Lapetina.

Catharina C. Pierri, Rosa P. Spinelli, Magdalena C. Spinelli.

Maria Luísa Monte Alegre, Judith Passarelli Joyce, Marla de Lourdes Spinelli, Odette Spinelll, Carlos Hummel e família, Pérsio Alves Simões. 

W. J. Waeny e senhora, por Leon Israel Co. S. A. e Cia. Americana de A. Geraes e seus auxiliares e por Paulo e Jorge Waeny; 

Guilherme A. Domingues, J. Figueiredo e família, Santos Amorim, Addy Proost Melchert, Ignacio Mamana, Elvira Vasques, Ranulpho F. Willmessdorf.

Carolina C. Cotsillas, por si e por Nicácio Costillas Junior e Carolina Pires da Costa;

Antônio Mendes Baptista, Marla Azevedo Baptista, Manoel Alves Nogueira, Ernesto José Guerra, Miguel Guerra, Hugo de Oliveira, dr. Paulo de Oliveira, José Guedes e família;

 Antônio Guedes e família, Lucio Guedes, Anadyr Alves Simões e família, Zoraide Pereira Campos. 

Risoleta Pereira Baptista, Iracema Passarelli de Sousa Leite, Gilda Rienzi Waeny.

Severino Salgado, pela Empresa Salgado e Fernandes; João Sampaio Moreira, J. Martins e José Olympio de Marajah.

Sobre o ataúde achavam-se coroas com os seguintes dizeres:

“Último adeus de seu esposo e filhos;

Homenagem da viúva Franco e filhos:

Homenagem da família Montoro; Último beijo de Heraldo, Irene e Regina Maria;
Último adeus de seus filhos Antônio e Julieta;

Homenagem de Leon Israel Co. S. S. e Cia. Americana de A. Geraes; Homenagem dos auxiliares de Leon. Israel Co. S. A. e da Cia. Americana de Armazéns Geraes, e flores de Armando e Lila Moraes.

Enviaram telegrammas as seguintes pessoas:

Dr. Assumpção Filho, família Salles Bittencourt. Adagamos e Ruth Sartini, Clovis Moraes Góes, Eunice e Edice Seixas Alencar, Mr. Bertaux, Lucilia Valle, família Vivian, Rosa Santos, Dalmo de Azevedo Marques, João e Carmen Ventura, Carlos Alberto Rodrigues, Carlos de Campos e família, Joaquim Machado da Costa, Joaquim Esteves, dr. Brasilino Alves, Dondoca Esteves e Sebastião Rios. 




Hermenegildo Lapetina nasceu em São Vicente no dia 7 de de junho de 1888, filho de Francesco Lapetina e Maria Rosa Branda Lapetina, sendo batizado na Igreja Matriz pelos padrinhos Hermengildo da Silva Ablas  e Dona Margarida Emmerich Ablas

Era o sexto filho de uma família de onze filhos, estudou na Escola do Povo dos dez aos dezessete anos, trabalhou nos estabelecimentos comerciais do seus pai, um empório na rua do Porto (rua Marquês de São Vicente, uma taverna na rua Visconde de Tamandaré e uma pedreira no Morro dos Barbosas. 

Em 1906 passou a exercer a profissão de despachante da Alfândega de Santos. Casou-se com em 9 de julho de 1908 com Clara Emília Bastide, filha de Benedicta Maria Bastide e de um engenheiro alemão, Paulino Emílio Bastide, que trabalhava para o governo da Província de São Paulo. Paulino Emílio Bastide nasceu em Berlin, Alemanha, em 25 agosto 1841. Benedicta Maria Bastide nasceu em Juquiá, São Paulo em  1860. Dessa união nasceram nove filhos. 

Em 1911 Hermengildo Lapetina  fez parte da diretoria de um curioso  filantrópico, o Clube dos Em Pé,  cujo sócio era em suas maioria eram comerciantes e políticos vicentinos. Hermenegildo era músico e tocava na banda Musical aos domingos no coreto da Praça Coronel Lopes. Foi m ativo da Irmandade do Hospital São José, entre 1919 e1921, usando seu prestígio na Alfândega de Santos para conseguir muitas doações para a entidade. Em 1922 saiu do serviço de despachante para assumir o cargo de escrivão de polícia na delegacia de polícia em 1930, acumulando a função de delegado e carcereiro. Aposentou-se em 1953 e faleceu em fevereiro de 1955.  (Vultos Vicentinos. Edison Telles de Azevedo, 1972).   

Hermenegildo Lapetina, o terceiro da esquerda para direita (terno preto), durante a inauguração da Delegacia de Polícia  de São Vicente em 1930. 








Retrato de Paulino Bastide feito em Santos no estúdio do fotógrafo Carlos Hoenen





FIGURAS ANTIGAS DA CIDADE. Moacyr Lapetina e filho, os primeiros proprietários do Auto-Posto Xixová, na avenida dos Tupiniquins-Japui. Moacyr também era um dos sócios da Pedreira Itapoã, no mesmo bairro. Acervo: Waldiney La Petina.








DR. JOÃO AMORIM

O PRIMEIRO MÉDICO MODERNO VICENTINO


Ele nasceu em 1913,  provavelmente no número 37 (lote 237), onde residiam seus pais Antônio Pinto de Amorim e Helena Lapetina de Amorim, quatro anos depois da publicação do edital À Bocca do Coffre. Trata-se de  João Amorim , o primeiro médico moderno de São Vicente cuja colação de grau foi noticiada pelo correspondente de A Tribuna em 1938:


Filho de Antônio Pinto Amorim e Helena Lapetina, João Amorim foi o caçula de uma família de sete irmãos. Nascido em 23 de junho de 1913 no município de São Vicente, fez seus estudos no Ginásio Santista, então dirigido pelos Irmãos Maristas. Ao final do curso, chamado pelo reitor da instituição para uma conversa, insistiu-se que João deveria seguir com os estudos. 

Assim foi, e em 1938 João Amorim formou-se pela Faculdade de Medicina da USP, sendo o primeiro cidadão de sua cidade a tornar-se médico. Um dos pioneiros na especialidade da ginecologia-obstetrícia, foi fundador e primeiro Diretor da Casa Maternal e da Infância, hoje Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, criada pelo governo de São Paulo em 1944 para o atendimento a mulheres carentes, gestantes e parturientes. 

Dr. João Amorim exerceu a medicina durante intensos 65 anos e, graças à sua perícia, dedicação e ética, construiu uma vasta clientela particular, sem nunca abdicar de seu trabalho social. Durante muitos anos foi o Diretor Clínico da Cruzada Pró-Infância (hoje Hospital Pérola Byington), hospital beneficente de inestimável trabalho junto à população em situação de vulnerabilidade social. Foi também Chefe da Maternidade do Hospital do Servidor Público Estadual, Diretor Clínico da Maternidade Matarazzo e Diretor Clínico da Maternidade Pró-Matre Paulista. Nos hospitais e maternidades em que atuou, além de seu trabalho cotidiano como médico, dedicou-se também à formação de novos profissionais, promovendo cursos em sua especialidade. 

Desta forma, formou várias gerações de ginecologistas e obstetras, incluindo profissionais de renome. Dr João Amorim faleceu em São Paulo capital em 10 de março de 2006, aos 93 anos.

Fonte: O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
Pesquisa: Waldiney La Petina.




O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 20 de maio de 1991 por um grupo de médicos, advogados e profissionais de saúde do Hospital Pérola Byington - Centro de Referência da Saúde da Mulher e de Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil - CRSMNADI para dar apoio àquela Instituição.

Seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra, um dos seus fundadores e 1º Diretor Clínico do Hospital Pérola Byington, com ampla experiência na administração em saúde.

Com o lema “Prevenir é Viver com Qualidade”, a Instituição é qualificada como Organização Social (OSS), em vários municípios, e reconhecida por sua experiência na gestão de serviços de saúde, atuando por meio de contratos de gestão e convênios em parceria com o Poder Público.

Atualmente, o CEJAM conta com serviços e programas de saúde nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Franco da Rocha, Guarulhos, Barueri, Santos, São Roque, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Peruíbe, São José dos Campos, Itapevi, Ribeirão Preto, Lins e Assis sendo uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS).


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OS HORNEAUX E OS MOURA



O Capitão Antero de Moura e sua esposa Izabel Horneaux de Moura em sua residência na rua XV de Novembro. Acervo familiar doado ao IHGSV.



Antero Alves de Moura, imigrante português que se radicou em São Vicente aos 20 anos de idade, juntamente com seus dois irmãos Antão Alves de Moura e Adão Alves de Moura. Adão faleceu muito cedo e Antão tornou-se figura empresarial e política de grande destaque. 

Antero também era empresário, mantendo diversos negócios e principalmente explorando a travessia do canal entre o Morro dos Barbosas e a agricultura no Porto do Campo, em Praia Grande. Foi delegado de polícia e alimentava os presos com seus próprios recursos. 

Casou-se com Izabel Horneaux (Dona Titina), filha de João Horneaux e Gabrielle Rosse du Barry Horneaux. 

Do casamento entre Antero e Izabel nasceram 14 filhos, entre eles o varão Paulo Horneaux de Moura, figura também muito conhecida na região. 

Os Horneaux são de origem francesa e vieram para São Vicente como refugiados na passagem do século XVIII para o XIX durante a Revolução Francesa. Os Moura são de origem portuguesa e os Lapetina (a grafia original é La Petina) são de origem italiana. 

Essas três antigas famílias vicentinas ficaram bastante conhecidas porque seus membros criaram entre si laços conjugais e descendentes comuns numa São Vicente pequena e provinciana, alguns se tornando personalidades de destaque na região


CAPITÃO LUIZ HORNEAUX










Antero Alves de Moura com amigos e correligionários no automóvel na rua XV de Novembro em de 1925. Acervo de família doado ao IHGSV.


Travessia da ilha de São Vicente para o Japui no início do século XX, serviço explorado por Antero de Moura. O ponto ficava próximo ao local onde seria construída a Ponte Pênsil a partir de 1910. Registro fotográfico de Benedito Calixto. Acervo do Museu Paulista.



Centro de S.Vicente nos primeiros anos do século XX. Rua Jacob Emmerich em 1904 esquina com XV de Novembro em 1902. Ao fundo, o Morro dos Barbosas. A primeira imagem foi feita durante um evento cívico-escolar para encerramento do ano letivo.


CAPITÃO ANTÃO ALVES DE MOURA

Capitão Antão Alves de Moura. Foto: Impressões do Brazil no Século Vinte, 1913 


Nasceu na cidade de Penafiel, Portugal, a 28 de dezembro de 1865. Veio para o Brasil com 17 anos, na companhia dos seus irmãos Antero e Adão. Comerciante e político, prestou grandes serviços à coletividade vicentina.

 Participou não só na criação, como no levantamento do edifício da Escola do Povo. Por serviços prestados durante a Revolução da Armada, recebeu do presidente da República, Floriano Peixoto, a patente de capitão honorário do Exército brasileiro. 

O Legislativo vicentino contou com a sua participação, desde 1900, como vereador, primeiro-secretário da Câmara. Como participante da Comissão de Obras Públicas, Poderes e Justiça e Contas, teve atuação positiva nos problemas como a Lei da Pena D'Água, Instalação da Luz Elétrica, e sobre o caso das Vertentes do Voturuá. 

Com o afastamento simultâneo do presidente e vice-presidente da Câmara, Antão Alves de Moura foi conduzido à presidência. No triênio 1905-7, foi elevado ao cargo de vice-presidente. Em 1906 foi o intendente de São Vicente. Nesse cargo dá mostras de grande administrador, com a instalação da Ponte Pênsil, prolongamento até São Vicente da linha de bondes, serviço de canalização de água, ampliação das instalações elétricas, a abertura da estrada de Praia Grande, e na comunicação pela praia, com Santos, e outros melhoramentos.  Faleceu em Santos em maio de 1931, com 66 anos de idade. 

Vultos Vicentinos. Edison Telles de Azevedo, 1972. Revista dos Tribunais.

Quando prefeito de São Vicente morava numa aprazível vivenda em Praia Grande (Porto do Rei), tinha telefone, mas ainda não tinha a Ponte Pênsil.

A Tribuna, 28 de fevereiro de 1910.

Revista Impressões do Brazil no Século Vinte, editada e impressa em 1913 na Inglaterra por Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd. A publicação destaca Santos e veio ilustrada com retratos de personalidades da política regional e cenas do mundo negócios portuários, incluindo alguns moradores vicentinos: "1) Genes Perez (1º secretário); 2) Belmiro Ribeiro de Moraes e Silva (prefeito); 3) Major Luiz Ayres da Gama Bastos; 4) Evaristo Machado Netto (presidente da Câmara Municipal de S. Vicente); 5) Antonio de Freitas Guimarães Sobrinho; 6) Benedicto Pinheiro; 7) Carlos Luiz d'Affonseca (presidente); 8) Oswaldo Cochrane (2º secretário); 9) Capitão Antão Alves de Moura (prefeito de São Vicente); 10) Flávio Soares de Camargo; 11) Dr. Azarias Martins Ferreira (vice-prefeito); 12) Capitão Carlos José Pinheiro (vice-presidente); 13) Coronel Gil Alvez de Araujo; 14) Vicente Pires Domingues". Fonte: No Milênio.
 
A vizinha cidade portuária de Santos, que divide com os calungas a Ilha de São Vicente desde 1540, era governada pelo Intendente Coronel Carlos Augusto Vasconcelos Tavares. A intendência e vice intendência foram cargos da modernização republicana de 1891, que corresponderia depois aos cargos de prefeito e vice.


Em São Vicente, o Capitão Antão Alves de Moura era na verdade Intendente. Atuava como mandatário através da Câmara Municipal, tendo como pares os vereadores Theotônio Gonçalves Corvello, Salvador Malaquias Leal, Joaquim José Leite, Alberto Martins de Oliveira e Antônio Militão de Azevedo. Sua ascensão ao poder se deu com o afastamento inesperado de dois membros da Câmara municipal: 

“Com o afastamento, simultaneamente, do presidente e vice-presidente da Câmara, o primeiro por grave moléstia de que veio a falecer 30 de setembro de 1905, na Alemanha, e o segundo, José da Costa Pereiradas Neves, por demissão espontânea, Antão Alves de Moura foi conduzido à presidência, substituindo-o na secretaria o suplente Antônio Militão de Azevedo, que também era Inspetor Literário. No triênio 1905-7, Antão Alves de Moura foi elevado ao cargo de vice-presidente, tendo por companheiro, na intendência, Salvador Malaquias Leal, e ainda Antônio Militão de Azevedo (...) Consequentemente ao falecimento de Hermann Haya, houve em 1906 uma remodelação na Câmara, passando a presidência a Salvador Malaquias Leal. Antão Alves de Moura foi o novo intendente”. (Vultos Vicentinos)



FRANKLIN MOURA

BAR NO BOQUEIRÃO. Coluna "De São Vicente" em "A Tribuna" - domingo, 01 de novembro de 1914 -o correspondente dá uma pequena nota da inauguração do Praia Grande Bar, de propriedade de Franklin  Moura, no Boqueirão. Ele era filho primogênito  de Antão Alves de Moura e sobrinho  de Antero Alves de Moura.  Era casado com Henriqueta Classen Moura e pai do economista e atleta Franklin Classen Moura (falecido durante uma partida de futebol em 1964).



PRAIA GRANDE VICENTINA EM DOIS TEMPOS. 1915- "O estabelecimento comercial tocado pelo Sr. Moura, que unia bar, armazém, restaurante e até mesmo serviços automotivos. O ambiente era requintado e sua clientela, muito bem formada pelos turistas, sobretudo os da Capital e proximidades, que começavam a descobrir aquele pacato paraíso, logo após a abertura da Ponte Pênsil. Não sabemos como era o temperamento do Sr. Moura, mas é de se deduzir que ele possuía um afiado tino para os negócios". (Claudio Sterque)
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"Em 1951 tínhamos no Balneário Anchieta na esquina da rua Dr Júlio de Mesquita Filho com a Av. Pres, Castelo Branco e o proprietário era Franklin Moura . Era o único armazém fora do Boqueirão e tinha de tudo um pouco. Mais tarde, ainda nos anos 50 é que mudou de proprietário, aparecendo então o nome João Doria & Filhos e assim permaneceu até 1964 quando então deixamos Praia Grande com o falecimento de meu saudoso pai. Na foto minha prima Marta e ao fundo o armazém.


PAULO HOURNEAUX DE MOURA


O ano de1914 marcou o início da I Guerra Mundial (1914-1918), o primeiro dos conflitos internacionais envolvendo as potências industriais nos cinco continentes e que deixaria um saldo de 20 milhões de mortos. Alguns meses depois os jovens brasileiros que aparecem nessa foto teriam que deixar a Inglaterra às pressas antes que o conflitos se alastrassem e impedissem a saída deles da Europa. Foi caso do jovem Paulo Horneaux de Moura. O conflito atingiria também os planos de um comerciante inglês radicado em Santos, cujos negócios de exportação entraram rapidamente em declínio após as notícias da eclosão de grande conflito de nações  e suas alianças. 

Alexander Dickson, havia adquirido um sítio em Praia Grande  e ali pretendia fundar um colégio interno nos moldes da educação elitista da educação britânica. O empreendedor não suportou a crise financeira internacional e seus bens foram leiloados entre seus credores. 

 O antigo bairro e São Vicente dava os primeiros passos da sua reorganização política. Nesse período estava despontando como comerciante, um conhecido e bem frequentado estabelecimento varejista. Era Franklin de Moura, cujo  empório teria longa duração nessa área continental praiana.
Revista  A Fita. 


Paulo Horneaux de Moura (1898-1964), foi casado com Antonieta Lapetina de Moura. Era advogado. Foi Secretário-Geral e chefe de delegação do Santos Football Club ; foi vereador e membro da Junta Governativa da cidade de São Vicente durante a Revolução de 1930. Um dos seus filhos foi Paulo Hourneaux de Moura Filho, Padre Paulo, sacerdote em várias paróquias da região e inspirador da famosa Escola de Samba santista que leva o nome de Mocidade de Padre Paulo, no bairro portuário do Macuco.  Página da Revista Flama. Acervos digital da FAMS


ANIVERSÁRIO EM DESTAQUE. O advogado vicentino Paulo Horneux de Moura recebe felicitações da revista Flama pelo seu aniversário, em 25 de janeiro de 1946. Moura foi secretário-geral e chefe de delegação do Santos Futebol Clube na época em que o goleiro da equipe era Athiê Jorge Coury. Governou São Vicente como membro de uma junta em 1930, sendo também juiz de paz e vereador. Foi redator do jornal A Tribuna. Foi casado com Antonieta Lapetina, pai de duas filhas e do famoso sacerdote Padre Paulo, filho caçula que tinha o mesmo nome paterno.

Arquivo Digital da FAMS-Fundação Arquivo e Memória de Santos



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PAULO HORNEAUX DE MOURA FILHO



O jovem Paulo Horneaux de Moura Filho descendia de um conhecido e antigo núcleo familiar vicentino, de franceses (Isabel Horneaux, materno) e portugueses (Antero de Moura, paterno). Segundo ele, a avó Isabel contava que a família veio para o Brasil como refugiados de uma das fases revolucionárias da França, já no século XIX. Padre Paulo nasceu em São Vicente, em 15 de dezembro de 1925. Filho de Antonieta e Paulo Hornneaux de Moura, era o único homem entre duas irmãs, Clélia e Célia.

Aos 18 anos ingressa no curso de Filosofia e, depois de Teologia, em São Paulo. Já possuía conhecimento de latim e grego enquanto terminava os estudos ginasiais. Em 1944 ingressa no Seminário Menor de Campinas. Em São Paulo, cursa filosofia e teologia no Seminário Central do Ipiranga. Em1947 licenciou-se em Teologia, sendo ordenado sacerdote em 6 de dezembro de 1953 por Dom Idílio José Soares, na Catedral de Santos. Iniciou o trabalho de evangelização no bairro do Macuco celebrando missas no Mercado Municipal. Ali, em 1965, foi nomeado cônego catedrático do Cabido Diocesano de Santos.

Entre 1971 e 1975, Padre Paulo ampliou suas ações sacerdotais: funda a paróquia São Jorge Mártir/Santos e, em 1974 , com os paroquianos a Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Paulo. Desde 1972, a juventude paroquial promovia rodas de sambas como lazer. Durante esse período, realizou atividades pastorais nas paróquias São Benedito, Nossa Senhora do Carmo e da Paróquia Santa Margarida Maria, todas em Santos.

Em 1990 finalmente, onde permaneceria por 13 anos, assume a Paróquia São Vicente Mártir, uma das fases mais felizes de sua vida religiosa , quando foi designado pela Mitra Diocesana para ser o pároco em sua terra natal. Nessa Igreja histórica, onde fizera seu catecismo, sua primeira comunhão e onde rezara sua primeira missa, Padre Paulo experimentou uma de suas experiencias mais difíceis: o incêndio que danificou parte de sua Igreja Matriz. Após aposentar-se, perseverou em sua vocação, tendo liderado a construção de uma nova Igreja, da qual foi pároco. Trata-se de uma das maiores Igrejas da Baixada Santista – a de Nossa Senhora de Fátima, no bairro do Catiapoã em São Vicente.


Padre Paulo Horneux de Moura Filho na sua investidura como pároco da Igreja Matriz São Vicente Mártir, em 1953. Revista Flama.

Chamada para o programa do Padre Paulo (Horneaux de Moura) na Rádio Atlântica nos anos 90. O sacerdote vicentino, além de pároco atuante, era professor das Faculdades Católicas de Santos e também do Colégio Santista, formando diversas gerações. Inspirou também formação da Escola de Samba Mocidade de Padre Paulo, na vizinhança da Igreja de São Jorge , no Macuco, bairro popular da área portuária de Santos. Grupo Santos Antiga



A ESCOLA DE SAMBA MOCIDADE DE PADRE PAULO
HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS

Começou em 1972, com um grupo de rapazes batucando fora da igreja. Fotos: Sérgio Eluf


Há em Santos uma escola de samba diferente. Não no modo de sambar, nem nos seus alegres objetivos carnavalescos. É que, quando desfila, ela traz sempre à frente um padre. Um padre, sem fantasia, sem batina, de roupas civis, mas um padre.

Esse padre não é outro senão o conhecido, simpático e bem-humorado Padre Paulo (Horneaux de Moura e a escola - que ele ajudou a fundar anos atrás - é a Mocidade Independente de Padre Paulo, várias vezes campeã do Carnaval santista.

"Mas, como é que o senhor foi fundar uma escola de samba, Padre Paulo?" E ele nos conta como tudo aconteceu:

"Foi no ano de 1972 e eu havia sido designado para ser o primeiro vigário da recém-fundada Paróquia de São Jorge Mártir, no Macuco. Num domingo de Páscoa, enquanto eu rezava a missa, um grupo de rapazes batucava do lado de fora da igreja. Usavam latas de banha e de cera. Acabou a missa e eu, contrariado, fui falar com eles. Perguntei: se vocês gostam tanto de batucar, por que não fazem um bloco para desfilar no "Dona Dorotéia"? À noite, novamente depois da missa, eles me esperavam do lado de fora da igreja, para me dizer que acabavam de criar o bloco e que haviam lhe dado meu nome: Bloco Carnavalesco Mocidade Independente de Padre Paulo.

"Protestei - continua padre Paulo -. Mas um deles, carioca, alegou que na sua terra havia a Mocidade Independente de Padre Miguel. Aí retruquei que Padre Miguel é o nome de uma estação de trem, mas não houve jeito, eles estavam irredutíveis e disseram que só continuariam com o bloco se o nome fosse aquele.

Padre Paulo Horneaux de Moura. Foto: Sérgio Eluf" Ora, como minha intenção era organizar o pessoal jovem do bairro, preferi não criar caso. Anos depois, o bloco virou escola de samba. E eu acabei como sócio fundador! (é interessante que se saiba que Padre Paulo tem desenvolvido, durante toda sua carreira religiosa, um trabalho bem sucedido com jovens em geral, organizando núcleos em vários bairros, com o intuito de levar à juventude formação moral e religiosa).

Padre Paulo nos confessa que essa sua participação na escola de samba já lhe rendeu muitas críticas e até sérias advertências por parte da Cúria Diocesana. "A tudo isso respondo com a tranqüilidade da minha consciência e a certeza de que realizo o que Cristo quer. Somos levados a cooperar com o povo onde o povo gosta. O brasileiro é muito alegre, brincalhão, e religião, ora essa, não é uma coisa triste!"

As pressões diminuíram depois da visita ao Brasil do Papa João Paulo II. "É que o Papa disse à imprensa internacional que, se fosse possível, uma das coisas que ele adoraria ver no Brasil era o desfile das escolas de samba".



PADRE PAULO NA CÉLLULA MATER


Um religioso bastante conhecido na Baixada Santista, que inclui em seu currículo o apoio à criação em Santos de uma escola de samba que leva seu nome, e a realização de programas de televisão, o padre Paulo Horneaux de Moura foi o tema de matéria publicada no caderno especial São Vicente do jornal santista A Tribuna, em 22 de janeiro de 2005:



Padre Paulo diz que sempre desejou ser pároco de São Vicente
Foto publicada com a matéria


CAMINHANDO
Padre Paulo: aposentado, não parado

Fora da paróquia há 13 anos, ele faz trabalho religioso em uma capela no Catiapoã

Aos 79 anos de idade, "bem vividos e bem sofridos", Paulo Maria Horneaux de Moura, o Padre Paulo, como todos de São Vicente e de cidades vizinhas o conhecem, vive em um modesto apartamento de três cômodos, no Centro de São Vicente, tendo como companhia os livros e os santos. Aposentou-se mas não parou. Realiza trabalho religioso numa capela no Catiapoã.

Ao receber A Tribuna para uma entrevista, em uma manhã ensolarada de sexta-feira, ele logo disse: "Fiz questão que viessem à minha casa para que, se um dia alguém falar que o Padre Paulo tinha dinheiro, vocês sabem que é mentira". Dinheiro, realmente, o padre não tem. Mas de que ele é rico, todos podem ter certeza.

A riqueza de Padre Paulo não é mensurável. Mente rápida e inteligente, em menos de cinco minutos de conversa ele conquista "católicos e ortodoxos". E nem precisa falar de religião.

Filho de Paulo Horneaux de Moura e Antonieta Lepetina de Moura, irmão de Clélia (falecida) e Célia, Paulo nasceu em São Vicente, no dia 15 de dezembro de 1925.

Após terminar o ginásio (hoje Ensino Médio) no Colégio do Estado, atualmente Colégio Canadá, em Santos, o caçula da família Horneaux fez o Curso de Sacerdote e Filosofia, no Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo.

Depois, seguiu os estudos na Universidade Católica de São Paulo, onde se formou em Teologia e Ciências Religiosas e Eclesiásticas, aos 27 anos. Padre Paulo passou por diversas paróquias, em várias cidades, trabalhou em rádios, ministrou aulas em cursos de Direito de faculdades de Santos e fez cursos de pós-graduação.

ALERTA
"Paróquia onde não há amor fraterno
eu considero uma pequena sucursal do inferno"

Ministério - "Sempre desejei ser pároco de São Vicente", lembra Padre Paulo. Ele estava na paróquia de São Benedito, em Santos, quando finalmente foi chamado para atuar na terra natal.

Foi também nessa época que conheceu os "primeiros passos da renovação carismática". Há 13 anos, deixou a paróquia, por motivo de aposentadoria.

Apesar de aposentado, ele não parou. Atualmente, realiza trabalho religioso na Capela Nossa Senhora de Fátima, no Catiapoã, às sextas-feiras e aos domingos.

Quem freqüenta o local diz que as missas costumam lotar e os que chegam um pouco mais tarde ficam do lado de fora. No Hospital São José, Padre Paulo também faz missas às terças e quintas-feiras e aos sábados, às 16 horas.

"Talvez não tenha deixado obras materiais", afirma. "Embora o prédio do imóvel ao lado da igreja, na Rua Ana Pimentel, tenha sido adquirido na minha gestão", destaca.

"A maior obra que deixei em São Vicente foi o início da Renovação Carismática Católica e os princípios gerais da Teologia do Amor Fraterno, que é a página mais importante do Evangelho de São João e de todas as manifestações evangélicas do Novo Testamento", ressalta Padre Paulo.

"Para mim, a teologia do Amor é a maior página que nós podemos colocar no coração do povo. Paróquia onde não há amor fraterno eu considero uma pequena sucursal do inferno. São Paulo dizia 'vós sois o templo vivo do Espírito Santo'. Foi isso que procurei deixar na Paróquia de São Vicente: templos vivos".

O padre Paulo faleceu em 23 de janeiro de 2011. Sobre ele, noticiou o jornal santista A Tribuna, em sua versão digital (acesso em 24/1/2011):

Terça-feira, 24 de janeiro de 2012 - 12h49

Adeus
Tristeza e comoção marcam a despedida a padre Paulo

A despedida ao corpo do padre Paulo Hornneaux de Moura no final da manhã desta terça-feira foi marcada por tristeza e comoção. Antes de chegar ao Cemitério Municipal, um caminhão do Corpo de Bombeiros fez um cortejo com o caixão pelas ruas da Cidade. Centenas de pessoas disseram o último adeus a padre Paulo.

Por volta das 9 horas, foi realizada uma missa de corpo presente celebrada pelo vigário-geral da Diocese de Santos, padre Elcio Antônio Ramos, na Igreja Matriz São Vicente Mártir.

O padre estava internado desde o dia 17 de janeiro e foi vítima de um acidente vascular encefálico (AVE). O prefeito Tercio Garcia decretou luto por três dias na Cidade.

Trajetória - Padre Paulo foi ordenado em 6 de dezembro de 1953. Nasceu em São Vicente, em 15 de dezembro de 1925. Filho de Antonieta e Paulo Hornneaux de Moura, era o único homem entre duas irmãs, Clélia (falecida) e Célia. Aos 18 anos entrou direto para o curso de Filosofia e, depois, para o de Teologia, em São Paulo. Trabalhou como professor no então Seminário Diocesano, em São Vicente. Fundou junto à comunidade, em meados dos anos 70, a Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Paulo.

Cronologia

1943 - Cursou Latim e Grego enquanto terminava os estudos ginasiais;
1944 - Ingressou no Seminário Menor de Campinas;
1947 - Cursou Filosofia e Teologia no Seminário Central do Ipiranga (SP), entre os anos 1947 a 1953; licenciou-se em Teologia na Faculdade Teológica N. S. da Assunção (SP), fazendo parte da turma fundadora dessa unidade de estudos eclesiásticos;
1953 - Foi ordenado sacerdote por Dom Idílio José Soares, na Catedral de Santos; Iniciou o trabalho de evangelização no bairro Macuco (onde se localiza atualmente a Paróquia São Jorge Mártir/Santos), celebrando missas no Mercado Municipal; 1965 - Foi nomeado cônego catedrático do Cabido Diocesano de Santos por provisão de Dom idílio José Soares;
1971 – Funda a paróquia São Jorge Mártir/Santos, tornando-se o primeiro pároco; 1974 - Funda com os paroquianos o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Paulo. Desde 1972, a juventude paroquial promovia rodas de sambas como lazer;
1975- Durante esse período, realizou atividades pastorais como pároco da Paróquia São Benedito/Santos, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Santos e da Paróquia Santa Margarida Maria/Santos;
1990 - Tornou-se pároco da Paróquia São Vicente Mártir/São Vicente;
2010 - Transferiu-se para a Casa São José do Padre Idoso/Santos.



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OLAVO HORNEAUX DE MOURA



 Olavo Hourneaux de Moura nasceu em São Vicente, Estado de São Paulo, em 17 de abril de 1917, era filho de Anthero Alves de Moura e de Isabel Hourneaux de Moura

Após os estudos regulamentares, em sua cidade, formou-se em medicina. Tendo realizado curso de especialização no Hospital St. Louis, de Paris, França. Como médico, foi funcionário do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e proprietário da antiga Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora das Graças.

Em 7 de outubro de 1962, concorreu pelo Partido Democrata Cristão (PDC) a uma cadeira de deputado estadual, obtendo 8.655 votos. Ficou como suplente da bancada de seu partido e assumiu o mandato parlamentar em diversas oportunidades na 5ª Legislatura de 1963-1967.

Com o fim do pluripartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar que havia tomado o poder pelo movimento revolucionário de 1964. Olavo Hourneaux de Moura foi presidente municipal do MDB de São Vicente.

Nas eleições de 15 de novembro de 1966, foi reeleito para a 6ª Legislatura de 1967-1971, com 9.474 votos, pelo MDB, assumindo sua cadeira em 12 de março de 1967. Nesse período fez parte das comissões permanentes da Assembleia Legislativa como membro efetivo nas de Assistência Social, e na de Cultura, Esportes e Turismo, e suplente nas de Saúde e Higiene e de Educação e Cultura. Integrou também, em 1967, a Comissão Especial que procedeu a reforma do Regimento Interno da Assembleia.

Em 25 de janeiro de 1968, o deputado Olavo Hourneaux de Moura participou das solenidades de transferência da sede da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo do Parque D. Pedro, situada no velho prédio do Palácio das Indústrias, para a nova sede do Palácio 9 de Julho, no Parque do Ibirapuera.

O deputado Olavo Hourneaux de Moura foi também testemunha do fechamento da Assembleia Paulista pelo Ato Institucional nº 5, de 13/12/1968. A Assembleia permaneceu em recesso pelo regime militar de 7/2/69 a 31/5/70. Nesse período, foram cassados pelo AI-5, 25 deputados estaduais, que tiveram também seus direitos políticos suspensos por dez anos.

Disputou, em 15 de novembro de 1970, sua reeleição à Assembleia Legislativa paulista, pelo MDB, ficando mais uma vez como suplente, com 11.831 votos. Mas não assumiu novamente a cadeira, por ter renunciado à suplência em oficio encaminhado ao presidente da Casa, em 12 de junho de 1973.

Foi também fundador do Esporte Clube Beira Mar, de São Vicente, em 9 de fevereiro de 1938, entidade esportiva atuante até os nossos dias.

Faleceu em São Paulo  no dia 4 de setembro, aos 93 anos,  vítima de falência múltipla dos órgãos.

Era viúvo de Ivaneide Mendes Guimarães de Moura e deixou oito filhos, Márcia, Olavo, Fernando Antonio, Fábio, Ricardo, Maria de Fátima, Marcelo e Eduardo, treze netos, e cinco bisnetos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Memorial de São Vicente, na cidade do litoral paulista.

Portal da ALESP


EMBATES POLÍTICOS NOS ANOS 1970








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JAYME HORNEAUX DE MOURA



Nascido em São Vicente no começo do século XX, destacou-se desde cedo pela intensa atividade esportiva e política. Atuou no Clube de Regatas Tumiarú, de 1922 a 1937, na Federação Paulista das Sociedades do Remo, em 1924 e na Associação Santista de Esportes Atléticos, de 1928 a 1930. Presidiu a Liga Santista de Bola ao Cesto em 1930, e o Conselho Deliberativo da A.A. Portuguêsa, de 1953 a 1954. Foi também fundador e primeiro presidente da Liga Vicentina de Futebol Amador

Atuando inicialmente no Clube de Regatas Tumiarú, de 1922 a 1937, ocupou os cargos de secretário, tesoureiro e vice presidente. Na Federação Paulista das Sociedades do Remo, foi conselheiro em 1924 e na Associação Santista de Esportes Atléticos – atual Liga de Futebol Amador – ocupou as funções de 2o. e 1o. secretário de 1928 a 1930.

Jaime Horneaux de Moura também presidiu a Liga Santista de Bola ao Cesto em 1930, e o Conselho Deliberativo da A.A. Portuguêsa, de 1953 a 1954, e foi o fundador e primeiro presidente da Liga Vicentina de Futebol Amador.

Na política e nos meios acadêmicos Jaime Horneaux também obteve reconhecimento: pois elegeu-se vereador pela Câmara Municipal de São Vicente nos períodos de 1936 a 1937, e 1964 a 1972, e no Instituto Histórico e Geográfico de Santos, ocupou a cadeira 31.

por Gilmar Domingos de Oliveira - Almanaque Esportivo de Santos


INSTITUDO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO VICENTE



Reunidos em 5 de fevereiro de 1959, na Rua do Colégio, esse grupo fundou o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente: Santelmo Couto de Magalhães Rodrigues Filho, Tude Bastos, Coaracy Paranhos, Arnaldo da Costa Teixeira, Fernando Martins Lichti, José Teixeira Matoso, Dorival Nascimento, Eloy Antônio Ferraz, Edson Telles de Azevedo, José Azevedo Júnior, Francisco Martins dos Santos (anfitrião), Olegário Herculano Alves e Jaime Horneaux de Moura

Fonte Poliantéia Vicentina, 1982.









JAZIGO DA FAMÍLIA NA NECRÓPOLE VICENTINA. O cemitério de São Vicente guarda no seu acervo tumular os restos mortais das mais antigas famílias da cidade, das simples até as mais aristocráticas. Algumas delas cuidam dos túmulos como relíquias e monumentos aos seus mortos.





FAMÍLIAS VICENTINAS TRADICIONAIS

SÃO VICENTE NO INÍCIO DO SÉCULO XX Fotografia de São Vicente em 1903, vista do Morro do Barbosas. Registro da Comissão Geográfica e Geológic...